ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA FEMININA DE GOLF SENIOR
TREINAMENTO DE CADDIES
PANORAMA DE UMA EXPERIÊNCIA BRASILEIRA REALIZADA EM CURITIBA
BREVE HISTÓRICO
A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA FEMININA DE GOLF SENIOR é a entidade que congrega mulheres golfistas seniores e pré-seniores. É atualmente, no Brasil, a única entidade do golf feminino organizada e formalizada como tal.
Esta é uma boa oportunidade para esclarecer que a ABFGS – Associação Brasileira Feminina de Golf Senior - e a ABGS – Associação Brasileira de Golf Senior - são entidades completamente distintas, e totalmente independentes uma da outra, não obstante o fato de realizarem eventos em conjunto e de prestarem-se mutuamente grande colaboração.
A ABFGS formou-se a partir da amizade que unia um grupo de jogadoras de Porto Alegre que sempre jogavam juntas e foi formalizada como entidade associativa há 16 anos, sempre em Porto Alegre. Atualmente está sediada em Curitiba, para onde foi levada em final de 2003, início de 2004.
Admite em seu quadro associativo jogadoras pré-seniores - com 40 anos completados - e seniores, com 50 anos.
É membro da Federacion Sudamericana Damas Sênior de Golf, federação que congrega as associações de mulheres golfistas seniores organizadas e em funcionamento em 7 países: Chile, Argentina, Bolívia, Peru, Colômbia, Uruguai e Brasil. A Federação somente admite em seus torneios as jogadoras seniores.
Além das atividades próprias (torneios, campeonatos, participações) que promove em âmbito nacional, cabe à Associação, na qualidade de filiada ao conjunto de países membros da Federacion Sudamericana sediar, em sistema de rodízio, o campeonato sulamericano anual: a cada ano o torneio se realiza em um dos países membros.
Em 2004, coube ao Brasil sediar pela segunda vez ( a primeira foi em 1998, em Porto Alegre) o Campeonato Sudamericano anual. O campeonato realizou-se em Curitiba, entre os dias 03 a 08 de outubro de 2004, nos campos dos clubes Alphaville Golf Clube e Clube Curitibano.
INTRODUÇÃO
A atividade de caddie, no Brasil tem sido exercida por pessoas oriundas de classes sociais menos privilegiadas, quase com exclusividade. Em outros países vemos esta atividade sendo exercida por pessoas de todas as classes, sem distinção, o que muito contribue para trazer para a atividade e para a comunidade padrões mais elevados de educação e comportamento.
Esta característica também permite que a atividade lá seja tida como profissão digna e de remuneração perfeitamente aceitável para a manutenção de um padrão de vida muito razoável.
A visão profissional da atual gestão da ABFGS, abrange, dentre outras preocupações em várias áreas, em desenvolver competências específicas e comportamentais para os caddies, visando um melhor desempenho geral e conseqüente melhoria de qualidade não somente na atividade em si, mas também em aspectos de sua vida pessoal.
Esta visão foi percebida a partir da experiência adquirida a partir da participação em torneios e encontros de golfe em várias partes do mundo.
Como preparação para o IX Campeonato Sudamericano Damas Sênior de Golfe, prevendo o grande número de inscritas, a ABFGS decidiu promover um recrutamento e treinamento de caddies.
À ABFGS pareceu que este treinamento se fazia prementemente necessário tendo em vista vários fatores:
1) em primeiro lugar, a Associação iria receber jogadoras estrangeiras, seniores acima de 50 anos e a comunicação entre caddy e jogadora poderia ser difícil;
2) o segundo fator é que o número de caddies em atividade nos vários clubes da cidade era insuficiente para atender a demanda;
3) o fato de serem senhoras e estrangeiras pesou na consideração da necessidade de se aprimorar o tratamento normalmente dispensado pelos caddies aos jogadores / jogadoras;
4) a idéia de se promover uma ação de responsabilidade social efetiva teve peso preponderante na decisão da ABFGS em realizar o curso / treinamento.
A ABFGS queria apresentar todas estas noções e também descortinar mais uma atividade profissional possível para um universo de pessoas que delas poderiam tirar proveito. Em pouquíssimo tempo - menos de dois meses antecedendo o torneio – decidiu-se pela realização do curso / treinamento e viabilizou-se a sua realização.
Foi contratada uma empresa especializada em recursos humanos para a realização e aplicação da parte teórica do curso. Esta empresa promoveu divulgação em meios de mídia e um recrutamento entre escolas de primeiro e segundo grau
DESCRIÇÃO DA AÇÃO
A escassez de tempo e a dificuldade de se conseguir um local adequado fizeram com que se decidisse por um treinamento de dois dias inteiros, mais ou menos 12 a 13 horas de treinamento.
Um dos clubes de golfe onde iriam se realizar os jogos do campeonato cedeu mediante pagamento de aluguel, seu campo e seu salão para a ABFGS instalar o curso.
O treinamento foi dividido em dois segmentos, um teórico e outro, prático.
PARTE TEÓRICA
Foi contratada uma empresa especializada em recursos humanos para a realização e aplicação da parte teórica do curso. Esta empresa promoveu um recrutamento entre escolas de primeiro e segundo grau da rede pública, em Curitiba. Tivemos 268 inscrições, e entre elas encontramos alguns estudantes universitários que se mostraram interessados.
A ABFGS, sob orientação da empresa contratada, forneceu lanche diário e ajuda de custo para transporte a todos os participantes.
O segmento teórico foi dividido em duas partes :
a) conhecimento específico;
b) parte comportamental.
Esta área se apresentou muito abrangente, porque deveria compreender desde noções de higiene e apresentação pessoal, até algumas palavras em castelhano, lembrando sempre que o Brasil é o único país de língua portuguesa na América do Sul e na Federacion Sudamericana Damas Sênior de Golf.
Um dos aspectos mais importantes do segmento teórico foi a parte psico-social e motivacional.
PARTE PRÁTICA
A parte prática, para a qual foram contratados três profissionais, consistiu em atividades no próprio campo de golfe: apresentação de tacos, bolas, modo de carregar a bolsa, limpeza e tratamento dos tacos, posicionamento do caddie em relação ao jogador durante o desenvolvimento da partida, e outros aspectos práticos da atividade do caddie, sempre lembrando que foi feito o possível dentro do pouco tempo que se tinha.
PREMISSAS E CONCLUSÕES
A idéia era atribuir-se a cada jogadora inscrita, um caddie previamente designado e pago pela própria associação. Isto pareceu necessário quando se tomou conhecimento que os caddies locais, percebendo que serviriam senhoras estrangeiras, manifestaram descontentamento com a tabela proposta e ameaçaram não comparecer.
A designação prévia de um caddie por jogadora, na prática não funcionou a contento, por causa a) do grande número de jogadoras, b) sua distribuição em dois campos, e c) da insuficiente absorção dos ensinamentos por parte da maioria dos caddies, face a excessiva inexperiência, impossível de ser vencida em apenas dois dias. Em se repetindo a iniciativa, dever-se-á fazer ajuste e correções, que com certeza contribuirão para melhorar os resultados obtidos.
Entretanto, a receptividade, o interesse e a repercussão do curso foram uma grata unanimidade. A partir desta constatação algumas reflexões se impõe:
- esta é uma iniciativa perfeitamente ao alcance de todas as entidades que se dedicam a pensar o golfe como vetor de inserção da pessoa no mundo do esporte e do esporte golfe no mundo econômico;
- este tipo de curso / treinamento, sua viabilização em curtíssimo tempo, sua aceitação e os resultados positivos para os participantes, a volume relativamente baixo dos custos envolvidos, indicam que esta iniciativa poderia e deveria interessar entidades oficiais e particulares de ensino, não somente as dedicadas ao ensino do esporte golfe, mas as de outra natureza também, como complementação de uma grade de ensino voltada à inserção no mundo do esporte, que hoje tem peso específico na economia mundial.
A experiência mostrou que para aqueles jovens pertencentes às camadas menos privilegiadas, o curso proporcionou uma oportunidade única de visão de uma nova alternativa de educação e trabalho, de melhoria da auto estima e da valorização pessoal;
Já para os oriundos de camadas mais privilegiadas do ponto de vista econômico e educacional, – citamos como exemplo os estudantes de escolas particulares e universitários – a oportunidade do aprendizado profundo do golfe como esporte de charme e elegância, talvez tenha sido o chamariz de maior apelo.
Ressalte-se a presença de muitas moças e jovens senhoras entre os ansiosos por aquele aprendizado.
Agora, cabe à a autoridade educacional – tanto pública quanto privada – conscientizar-se e acatar a noção real de que o golfe, - por exigir de seu praticante ou simplesmente colaborador, auto controle, disciplina, estudo teórico e prático específico e rígidas regras de comportamento, é um dos esportes que mais se destaca pela natureza elevada da formação que propicia.
Que as experiências possam ser utilizadas com proveito pelas entidades que ensinam e educam, é o desejo da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA FEMININA DE GOLF SENIOR – ABFGS.