Confederação Brasileira de Golfe

Mulheres ganham representatividade na gestão do golfe brasileiro

01 de dezembro de 2020

Não é segredo para ninguém que, globalmente falando, o golfe tem muito mais homens do que mulheres, tanto dentro quanto fora de campo. Nos últimos anos a Confederação Brasileira de Golfe (CBGolfe) tem se esforçado para mudar este cenário, oferecendo mais oportunidades para as mulheres. Assim, cada vez mais elas ganham representatividade na gestão do golfe brasileiro. Rossana Marini e Stephanie Egger são exemplos dessa mudança, e falam mais sobre o assunto.

Rossana Renata Marini é atualmente a presidente da comissão de atletas da CBGolfe, e em outubro foi eleita vice-presidente, iniciando na nova função já em janeiro de 2021. Stephanie Egger é membro da comissão de atletas, e para a próxima gestão foi eleita para o Conselho de Administração da CBGolfe. Além delas, em breve a entidade irá conhecer mais uma nova representante das golfistas amadoras, em votação que será realizada pelos próprios golfistas.

Confira abaixo uma entrevista com Rossana e Stephanie sobre a participação das mulheres no golfe nacional:

Como você vê a participação feminina no golfe nacional, em termos esportivos e também de gestão?

Stephanie: A participação feminina no golfe nacional sempre foi menor do que a dos homens, em número de participantes, mas nem por isso deixou de ser expressiva, com golfistas como Yolanda Figueiredo, que foi uma das primeiras e fez história! Hoje temos meninas muito focadas em representar o país, como Luiza Altmann, Lauren Grinberg e Beatriz Junqueira, que jogam em torneios fora do país, representando o Brasil. Entre outras, hoje são 32 no ranking feminino da CBGolfe, meninas e mulheres que querem se destacar no nosso esporte. Ainda têm outras muitas no campo se preparando para entrar nas competições oficiais.

A CBGolfe vem fazendo um trabalho de alto rendimento com as garotas que representam o país, dando apoio com academias e treinadores de mobilidade e força, com treinos específicos, e mental coach, também levando as equipes para torneio. Junto ao R&A, a CBGolfe está pronta para apoiar e incentivar o golfe feminino em todas as categorias, desde o infantil até as iniciantes e intermediárias também. É um processo na gestão que está acontecendo com muita intensidade e foco e a intenção é não deixar ninguém de fora.

Uma demonstração desta diretriz está inclusive na representação das mulheres dentro da CBGolfe e de algumas federações. No próximo Biênio, a Vice-Presidente da entidade é uma mulher e na Federação Paulista hoje existe uma diretoria feminina.

Rossana: Como podemos notar, o esporte em geral estava mais ligado ao universo masculino. Com o passar dos tempos as mulheres foram conquistando paulatinamente seus espaços nas mais diversas atividades e os esportes não ficaram de fora disso. Assim, no golfe, não poderia ser diferente. Aos poucos as mulheres foram aprendendo a gostar do esporte e a ver seus benefícios, tanto para a saúde física, como mental.

Historicamente, sempre tivemos grandes jogadoras, como temos até hoje, com conquistas importantes seja no cenário nacional como internacional. Nossa participação ainda é pequena, como ocorre em todo o mundo, mas existem vários projetos internacionais visando trazer mais mulheres para a prática do esporte, bem como, para trabalhar com o esporte: greenkeepers, gerentes de campos, instrutoras, preparadoras físicas, coaches, enfim, há uma infinidade de oportunidades para as mulheres. Vale ressaltar que a CBGolfe é signatária destes projetos internacionais e vamos trabalhar duro para que isto tornar-se realidade.

Por que você decidiu participar mais efetivamente da gestão da CBGolfe?

S: Aprendi a jogar golfe quando eu tinha 3 anos de idade, e sempre vi no esporte um propósito maior. Quando eu era jovem, queria ser atleta profissional, mas tinha aquele estigma que eu precisava estudar e ter uma carreira administrativa. Entre idas e vindas, o golfe sempre me encantou e, há 5 anos, depois de ter duas filhas e um marido incentivador, vi nos campos um lugar com novas possibilidades em um novo momento de vida que me encontrava. Me apaixonei por tudo que envolve o esporte, começou com a vontade diária de melhorar o jogo e uma coisa leva a outra no golfe, e acabei me envolvendo completamente, inclusive com a missão pessoal de incentivar as mulheres a jogar. Abri uma marca de acessórios para golfistas e com a ajuda da capitã e dos funcionários do Clube de Campo de São Paulo, reativamos nosso ranking feminino interno. Dali comecei a querer me envolver cada vez mais com o golfe, apoiando alguns eventos, torneios e profissionais.

Em sincronia, fui convidada pela CBGolfe na gestão do Sr. Euclides Gusi e do Sr. Osmar Costa Sobrinho para representar as atletas femininas amadoras. E, agora, na sequência, para fazer parte do conselho administrativo, das diretrizes do COB para a formação de uma comissão de atletas e de um conselho administrativo do programa GET.

R: Acredito que não tenha sido uma decisão, mas sim o resultado de todo um trabalho que vínhamos desenvolvendo dentro do golfe. Quando recebi o convite para participar da gestão da CBGolfe, feito pelo Dr. Osmar da Costa Sobrinho, senti-me extremamente honrada e feliz, não só por poder representar todas as golfistas, mas sim, por poder representar e trabalhar por todos os golfistas de nosso país, buscando o engrandecimento e desenvolvimento de nosso esporte.

Como você acha que o golfe pode atrair mais mulheres?

S: Estamos vivendo um novo ciclo na história. As mulheres hoje se confirmaram no mercado de trabalho e assim são mais independentes e donas de si. Se ontem as mulheres de golfistas eram chamadas de “viúvas do golfe”, que esperavam horas em casa com o almoço pronto, hoje a história é outra e elas também querem se divertir sábado de manhã. Melhor ainda se for em família e o golfe tem tudo para ser um esporte para a família. Todos podem jogar juntos cada um com o seu nível e isso é o máximo.

Outro aspecto que estamos vivendo é essa pandemia e os campos de golfe se tornaram o melhor lugar para a prática de esporte, por ter um espaço aberto, com distanciamento social, seguro, saudável e divertido. Tenho visto nos últimos meses muitas mulheres em campo, muitas acompanhando seus maridos, filhos e aprendendo a jogar.

No campo de golfe acontece muita coisa saudável, todos os aprendizados de foco, concentração, lições de como lidar com a frustração, estratégia, ritmo, vontade de melhorar, além das muitas calorias gastas em uma partida e a possibilidade de fazer novas amizades também. Os torneios de golfe são uma verdadeira festa, uma possibilidade das mulheres viverem momentos muito especiais. Outro ponto a favor do golfe é a beleza natural dos campos e incluí-lo em roteiros de viagem é a garantia de passeios muito especiais também.

R: Esta é a pergunta que todo o mundo do golfe gostaria de ter uma resposta pronta. Obviamente, que nós não a temos também. Porém, temos trabalhado há muito tempo nesta questão, com várias golfistas em várias regiões do Brasil. Já temos tabuladas várias ações que acreditamos darão frutos a curto, médio e longo prazo.

E o esporte em geral, como pode atrair mais mulheres?

S: Ao longo da história a maioria das mulheres não foram muito incentivadas a prática de esporte. Mas isso tem mudado nos últimos anos. A busca pela saúde e bem estar se tornou algo comum a todas as pessoas, e seria uma pena pensar que as academias de ginástica são a única possibilidade para as mulheres. Cada esporte tem sua beleza e exige habilidades, competências físicas e motoras que podem ser desenvolvidas a qualquer um. Basta ter vontade e coragem. Maridos e filhos incentivando e apoiando suas mulheres e mães é a melhor forma de levar as mulheres para o esporte.

R: O mundo feminino, bem como o masculino, tem o mesmo objetivo quando ingressa em um esporte: acolhimento, companheirismo e bem estar. Se uma pessoa não encontra nenhum destes objetivos, ela certamente irá procurar outro esporte que os tenha.

Como será a participação das mulheres nas tomadas de decisão da próxima gestão da CBGolfe?

S: No biênio 2021/22 teremos como Vice-Presidente da CBGolfe a Rossana Marini, temos mulheres na comissão de atletas, temos mulheres no conselho de administração, a atleta olímpica de salto Fabiana Murer, que está ligada à CBGolfe como atleta independente. Todas com foco em apoiar e desenvolver o esporte. As competências femininas são diferentes das dos homens e juntos acredito que vão se completar. Essa participação efetiva das mulheres na gestão do golfe brasileiro permite uma tomada de decisão mais harmoniosa. E se o foco é incentivar as mulheres a jogar golfe nada melhor do que ouvi-las. E essa possibilidade só existe com o apoio dos homens e de instituições como o R&A.

R: A CBGolfe é hoje uma das entidades esportivas mais engajadas na igualdade de gêneros em sua administração. Tem em seu Conselho Superior de Administração 2 mulheres (50%), a atual Comissão de Atletas tem a participação de mulheres sendo sua presidência exercida por uma mulher. Nosso quadro de funcionários administrativos é composto por várias mulheres em postos chaves. Assim, certamente as mulheres terão participação efetiva nas tomadas de decisão da CBGolfe. O objetivo desta nova gestão é, e sempre será o crescimento do golfe brasileiro dentro dos melhores processos administrativos, com total transparência e a aplicação das melhores técnicas esportivas, tendo como objetivo principal o desenvolvimento e crescimento saudável do esporte e seus praticantes.

Tem alguma mensagem final, algo a mais que gostaria de falar?

S: Lembro da minha primeira reunião no conselho da CBGolfe, quando o presidente Euclides apresentava o estado das contas advindas do campo olímpico e tudo o que fizeram para estancar o prejuízo marcado nas finanças. O tempo passou e pude assistir de cadeira cativa o trabalho de todos os funcionários e dos gestores focados na transparência e governança corporativa. A CBGolfe trabalhou muito nos últimos tempos às exigências do COB e conseguiu ficar em primeiro lugar no Programa GET (Gestão, ética e transparência), do COB, e isso tem um significado muito importante a longo prazo para o nosso esporte. É uma conquista que afetará lá na frente os nossos golfistas.

O desenvolvimento contínuo, a flexibilidade e a vontade de ver mais golfistas em campo, jogando cada vez melhor e com mais possibilidades tem sido a força motriz nas nossas reuniões da comissão de atletas. Fica claro o apoio que a CBGolfe quer efetivamente dar ao esporte e com a casa organizada, com o apoio do COB e do R&A, estamos prontos para dar a próxima tacada.

R: O esporte sempre esteve muito presente em minha família. Pelo lado materno, meu avô foi jogador de futebol, no tempo em que se jogava pelo amor ao esporte, nos idos de 1930. Pelo lado paterno, meu tio era integrante da equipe italiana de ciclismo de estrada, outro tio foi campeão de tiro das Forças Armadas Italianas e meu pai alpinista. Veio a II Guerra e tudo isto mudou, mas não a paixão pelos esportes. Meus irmãos e eu sempre fomos, desde muito cedo, incentivados a praticar esportes. Joguei Handball na infância, posso dizer, com certo sucesso. Na adolescência fui apresentada ao tiro ao voo e efetivamente me apaixonei pelo esporte. Fui Campeã Brasileira várias vezes e conquistei títulos nacionais, competindo na categoria masculina. Tive a honra de representar o Brasil em 5 Campeonatos Mundiais, onde obtive títulos importantes para o nosso país. O tempo foi passando, mas a paixão por esportes permaneceu forte dentro de mim. Fui apresentada ao golfe pelas mãos de meu irmão, grande atirador também e desde então comecei a viver e me maravilhar com este esporte. Procurei ler muito, pesquisar em várias fontes, fiz e faço até hoje, cursos sobre organização de torneios, administração e manutenção de campos de golfe. Posso dizer que sou uma apaixonada por este esporte maravilhoso.

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